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12/05/2008 | Agnaldo Brito - Folha de S.Paulo

Indústria quer comitê de gestão de política

Dirigentes dizem que boas intenções da política industrial precisam de acompanhamento para serem implementadas

Preocupação é a de que indústrias pequenas e médias também tenham acesso ao pacote de estímulos anunciado hoje

O setor empresarial elegeu a formação de um comitê de gestão da nova política industrial como ponto central de cobrança a partir de hoje, quando o segundo pacote de medidas de estímulo à indústria for anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no Rio de Janeiro.

De acordo com lideranças empresariais ouvidas pela Folha, o anúncio de políticas industriais traz sempre medidas importantes que podem beneficiar a produção, mas que não chegam ao destino, principalmente nas pequenas e médias empresas.

Os empresários cobram a montagem de um comitê de gestão e monitoramento da nova política industrial, com a participação de entidades empresariais e o governo.

"Pelas dados que se tem, a nova política industrial é bastante positiva. Mas o que não pode ocorrer com essa segunda versão é o que ocorreu com a anterior: não ter um sistema de gestão, com definição de metas daquilo que deve acontecer. Desse jeito, medidas importantes não saem do papel", disse José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Juan Quirós, vice-presidente da Fiesp e ex-presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimento), só a gestão e o controle da nova política industrial podem permitir que medidas importantes possam alcançar a pequena e média empresa, que, em geral, é excluída das vantagens das ações de governo.

Agentes lentos

Quirós participou da formulação do primeiro pacote de política industrial do governo Lula e lembra que medidas de desoneração chegam muito mais rápido ao setor industrial do que aquelas que dependem de outros agentes, como os bancos.

"A MP do Bem, por exemplo, desonerou a cadeia da construção civil e a indústria de bens de informática. A partir dali, a construção civil e a venda de computadores ganharam impulso", afirmou Quirós.

Por outro lado, segundo Quirós, o acesso a recursos financeiros para investimento e custeio é o problema mais complicado. Ele sugere que a política industrial deve observar as limitações impostas aos pequenos e médios empresários na obtenção de linhas de financiamento.

"As garantias exigidas chegam a ser de 130% do valor pleiteado. Fora grandes corporações de setores organizados, ninguém mais consegue assegurar um nível desses de garantia. Só isso já exclui uma quantidade enorme de empresas", afirmou ele.

Uma das metas que o governo deverá buscar é a elevação em 10% no número de empresas exportadoras. Hoje, cerca de 9.000 empresas exportam.

Para Quirós, uma política industrial isonômica pode potencialmente ser excludente. "Não há como exigir de pequenas e médias empresas as garantias que grandes empresas podem dar. Acho que um grupo de gestão da nova política industrial deveria ficar atento a isso", afirma.

12/05/2008 | Agnaldo Brito - Folha de S.Paulo

Indústria quer comitê de gestão de política

Dirigentes dizem que boas intenções da política industrial precisam de acompanhamento para serem implementadas

Preocupação é a de que indústrias pequenas e médias também tenham acesso ao pacote de estímulos anunciado hoje

O setor empresarial elegeu a formação de um comitê de gestão da nova política industrial como ponto central de cobrança a partir de hoje, quando o segundo pacote de medidas de estímulo à indústria for anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no Rio de Janeiro.

De acordo com lideranças empresariais ouvidas pela Folha, o anúncio de políticas industriais traz sempre medidas importantes que podem beneficiar a produção, mas que não chegam ao destino, principalmente nas pequenas e médias empresas.

Os empresários cobram a montagem de um comitê de gestão e monitoramento da nova política industrial, com a participação de entidades empresariais e o governo.

"Pelas dados que se tem, a nova política industrial é bastante positiva. Mas o que não pode ocorrer com essa segunda versão é o que ocorreu com a anterior: não ter um sistema de gestão, com definição de metas daquilo que deve acontecer. Desse jeito, medidas importantes não saem do papel", disse José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Juan Quirós, vice-presidente da Fiesp e ex-presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimento), só a gestão e o controle da nova política industrial podem permitir que medidas importantes possam alcançar a pequena e média empresa, que, em geral, é excluída das vantagens das ações de governo.

Agentes lentos

Quirós participou da formulação do primeiro pacote de política industrial do governo Lula e lembra que medidas de desoneração chegam muito mais rápido ao setor industrial do que aquelas que dependem de outros agentes, como os bancos.

"A MP do Bem, por exemplo, desonerou a cadeia da construção civil e a indústria de bens de informática. A partir dali, a construção civil e a venda de computadores ganharam impulso", afirmou Quirós.

Por outro lado, segundo Quirós, o acesso a recursos financeiros para investimento e custeio é o problema mais complicado. Ele sugere que a política industrial deve observar as limitações impostas aos pequenos e médios empresários na obtenção de linhas de financiamento.

"As garantias exigidas chegam a ser de 130% do valor pleiteado. Fora grandes corporações de setores organizados, ninguém mais consegue assegurar um nível desses de garantia. Só isso já exclui uma quantidade enorme de empresas", afirmou ele.

Uma das metas que o governo deverá buscar é a elevação em 10% no número de empresas exportadoras. Hoje, cerca de 9.000 empresas exportam.

Para Quirós, uma política industrial isonômica pode potencialmente ser excludente. "Não há como exigir de pequenas e médias empresas as garantias que grandes empresas podem dar. Acho que um grupo de gestão da nova política industrial deveria ficar atento a isso", afirma.

  

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